Schubert + Pink Floyd

Colo aqui um perfil da Anna Clyne, compositora-residente da CSO, sinfônica de Chicago, publicado em 30 de setembro pela revista “Serafina”

Anna Clyne engana. À primeira vista, poderia ser confundida com uma enviada especial dos anos 1970 ou com a verdadeira “noiva neurótica”: bata larga, bolsa de franja, pena na orelha. Mas a verdade é que a inglesa tem 32 anos, e o que a aproxima de Annie Hall, a célebre personagem de Diane Keaton, é seu gosto especial por moda de brechó.

Superado o choque visual, chama a atenção como é simpática e tranquila. Compositora a serviço de uma das orquestras mais importantes do mundo, a Sinfônica de Chicago, ela conversa como se não tivesse pressa e tem o dom de deixar o interlocutor à vontade.

Todd Rosenberg
Anna Clyne, 32, viu sua primeira peça ser executada pela Sinfônica de Chicago em fevereiro
Anna Clyne, 32, viu sua primeira peça ser executada pela Sinfônica de Chicago em fevereiro

Anna foi escolhida por Riccardo Muti, diretor musical da orquestra, há dois anos para fazer parte de uma residência de composição. Em fevereiro deste ano, viu sua primeira peça ser executada.

“Night Ferry”, de 25 minutos, entrou como parte de um programa da Sinfônica de Chicago com trabalhos de Schubert. Anna inspirou-se na vida e na personalidade bipolar do compositor e, durante o processo, pintou um painel na parede de seu estúdio que representava frações da composição.

“Apesar de não ser uma artista, eu sou muito visual e queria bastante movimento nessa peça.”

Outra coisa que ajudou, ela conta, foi a proximidade com os músicos da sinfônica. “Eu não compus para o clarinete, mas para o músico específico que toca clarinete nessa orquestra. Eu pensei nele, não só no instrumento”, conta.

PINK FLOYD

Também neste ano, Anna lançou seu primeiro álbum, “Blue Moth”, com sete músicas compostas para instrumentos como oboé e cordas, sempre acompanhados de trechos pré-gravados, seguindo a lógica da música eletroacústica.

Suas peças foram cantadas por Björk e, até maio do ano que vem, já tem performances agendadas em Nova York e Londres.

Anna não nasceu em um meio musical, como é comum para a maioria dos compositores de música erudita, mas em uma família operária inglesa.

Cresceu ouvindo bandas como Pink Floyd –a favorita de sua mãe– e Beatles e aprendeu a tocar piano sozinha, em um instrumento com algumas teclas a menos. Escreveu a primeira música aos 11 anos, mas só começou a estudar composição aos 20.

“Eu trabalho duro e sempre tive uma sede pela vida. Quando fui estudar em Nova York, em 2002, cheguei a fazer faxina no prédio onde morava para ganhar um abatimento no aluguel.” Quem ouviu “Night Ferry” ou “Blue Moth” sabe que o sacrifício valeu a pena.

Esta entrada foi publicada em outubro 1, 2012 às 4:45 pm e está arquivada sob Chicago, Música. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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