Making of

Em junho, participei de uma junket pela primeira vez na vida. Pra quem não sabe o que é, é o termo usado para definir os eventos de promoção de um filme. No meu caso, era a promoção de Ted, uma comédia sobre um urso de pelúcia podrão, tarado, bêbado, maconheiro. Meu alvo era Mark Wahlberg e a missão era um belo e completo perfil dessa celebridade tão cheia de traços marcantes (já já vamos a eles).

O resultado foi publicado ontem, domingo, na Serafina. Eu adorei. Quem é repórter e tem tempo pra lamber a cria geralmente fica insatisfeito com uma coisa ou outra da edição. Pois eu não fiquei. Com nada. Nada mesmo. Pra mim tá tudo legal. E o título então, da edição impressa é genial: Vem para o papai, vem!

O texto, se você tiver interessado, pode ler aqui. Agora, eu vou contar mesmo é como foi essa viagem.

* * *

Saí de Chicago numa quinta-feira ao meio-dia em direção a Los Angeles. Chegando lá, taxi, trânsito, hotel umas 15h. The Four Seasons. Chego eu de mochilinha de propaganda bem xumbrega, pra ficar no hotel número 1 de Los Angeles. Rolou uma vergonha, mas fiz uma cara de rica excêntrica, empinei o nariz e quando a mocinha da recepção me perguntou se eu queria a ajuda de um carregador, falei que eu só tinha a mochila mesmo e que tava tudo bem. Soltei um “I like to travel light” e me arrependi e quis morrer 500 vezes instantaneamente.

Instantaneamente também eu percebi que não tinha roupa pra ficar no Four Seasons. Enquanto não estivesse trabalhando, então, ou melhor, enquanto não estivesse entrevistando, eu estaria de roupão na piscina. Essa, certamente, foi a decisão mais certa da minha carreira. A piscina daquele hotel não é nada mal e foi lá que consegui transcrever a entrevista mais chata da minha vida, de 50 minutos de duração, sobre fundos de investimentos. Na piscina do Four Seasons, nunca trabalhei tanto, nunca fui tão eficiente. Só parava quando era interrompida por algum gentil funcionário que me oferecia água, refresco, brownie e não sei lá mais o quê. Vida de jornalista geralmente não é fácil. Mas, eventualmente, tem dessas coisas.

O mais engraçado foi interagir com outros colegas. Uma delas, bem experiente, macaca velha desse tipo de viagem, me contou cada uma que eu quase caí pra trás. Um senhor inglês, há alguns anos, havia levado as cortinas de casa para serem lavadas na lavanderia do hotel. Outro, usou a diária destinada à comida para um encontrinho amoroso (tentei a todo custo evitar o trocadalho de que ele usou o dinheiro da comida pra comer). Oi?

E também foi muito educativo observar a imprensa local, que vive desse tipo de notícia, celebridades e tudo o mais. Tem gente que faz questão de mostrar que sabe tudo de todos e que tem opinião — geralmente negativa — sobre cada uma das estrelas. Assim, eu ouvi que a Blake Lively fez não sei o quê pra conseguir um papel no último filme, que não sei quem parece um cavalo, e que não sei quem mais lá tá preso no armário.

Eu, do meu lado, enquanto não fiz a entrevista fiquei meio tensa. De novo, aquele lance do forever foca. Sempre com medo do inglês fugir, de eu falar uma besteira — nunca esquecer que eu já zoada por duas atrizes (!!) por ter feito perguntas idiotas (!!!) –, de dar uma zebra. Dessa vez, ufa, o que deu errado, como eu conto no texto da revista, deu certo.

Nunca trabalhei tanto

Esta entrada foi publicada em julho 30, 2012 às 12:02 am e está arquivada sob Cinema, Jornalismo, Vida na América. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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