A voz da minha geração ou uma voz de uma geração

Um só episódio foi ao ar. Apenas um. Em um canal fechado, nos EUA. E o barulho que fez é totalmente impressionante. Se você se conectou em algum momento desde segunda-feira até hoje na internet deve ter batido o olho em algum link sobre Girls, a nova série da HBO, que estreou domingo.

A série é escrita, dirigida e estrelada por Lena Dunham, uma menina de 20 e poucos que interpreta, como ela mesma diz no primeiro episódio, “a voz da minha geração, ou talvez, uma voz de uma geração”. Basicamente, ela é informada pelos pais sobre a decisão de cortar toda e qualquer ajuda financeira. Hannah, a protagonista, é uma estagiária sem remuneração e sem perspectiva de transformar o estágio em emprego. Do seu lado, tem duas fiéis amigas, que têm questões próprias e entre si. Além disso, tem uma espécie de namorado man child, que não a trata exatamente como alguém gosta de ser tratado. É engraçado, mais inteligente que a média, e constrangedor em muitas partes. Constragedor não porque é ruim, mas porque pode ser bem parecido com a vida real. E a vida, como todos nós sabemos, é estranha.

Na internet, hoje, eu li de tudo. Gente que considera o programa apelativo e antifeminista por mostrar cenas de autodegradação da protagonista, gente que considera a série racista, porque tem apenas brancas entre as personagens principais, e gente que simplesmente gostou porque considera boa comédia.

A New Yorker, antes da estreia do programa, fez um paralelo sobre essa produção com outras séries protagonizadas por mulheres na linha working girl numa grande cidade, desde The Mary Tyler Moore Show até o inevitável Sex and the City. Isso me fez chegar à triste conclusão de que, pra mim, o problema de Girls é geracional. Eu já passei por empregos que não pagam/pagam mal, namorados que não me tratam como eu merecia, e todos os perrengues de ser uma jovem mulher solteira numa cidade grande. Assim como as girls de Girls, eu já tive 20 anos em uma metrópole. Mas isso faz mais ou menos uns dez anos e eu até já me esqueci. (Fica a dica pra quem tá sofrendo agora. Vai passar!)

O mesmo problema eu tive com Sex and the City, que falava sobre problemas de mulheres de 30, quando eu tinha 20. Quem sabe então quando eu tiver 40…

Mas, por outro lado, Girls fala – ou pelo menos deu a entender no primeiro episódio de que vai falar – sobre um problema que é universal e constante, que é a vontade de se encontrar e fazer algo bacana na vida. Isso, eu tô chegando à conclusão, todo mundo sente em qualquer estágio da vida. É só voltar pros anos 60 e ver a Mary Tyler Moore. Nesse caso, a Hannah é ainda mais que a voz da sua geração.

Lena Dunham, criadora de Girls

* * *

Um texto muito bom sobre a série aqui.

Aqui vai o trailer da série.

Aqui vai o trailer sobre o filme anterior de Lena Dunham.

Esta entrada foi publicada em abril 19, 2012 às 11:04 pm e está arquivada sob Ai esse comportamento!, Televisão. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

6 opiniões sobre “A voz da minha geração ou uma voz de uma geração

  1. meu maior desafio atual é falar (pasme) “girls” com a pronúncia correta. um dia eu mandei um girls qualquer em casa e a angela não parou de rir. sou mesmo um paquistanês.

    • meu problema era world, que eu falava road. daí uma amiga me ensinou a falar “were old” bem rápido, até que eu consegui. tou pensando se tem algum truque pra girls. se tiver, te falo!

  2. comentário da angela: ” além de gênia, diz que eu também curti o girls”. morri.

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