O possessivo e o Clint

De Heloisa Lupinacci, São Paulo
Para Isabelle Moreira Lima, Chicago

 

Minha Mattosa, aqui é sua Cuíca. Ando pirando no possessivo, meu, minha, as minha pira. E eu piro e se botasse lenha na pira acabaria escrevendo um Mein Kunin, a minha luta anarquista, com a bênção de Bakunin e o perdão do trocadilho infame.

É que, você sabe, o Cuenca, do seu Mattoso, minha Belle, veio na primeira carta dele com um nosso isso, nosso aquilo. E esse possessivo do plural virou possessão. E assim foi que eu pirei no que é meu, no que é seu e no que veio a ser nosso.

Ele disse:

“Nosso Rubem Braga virou, de facto, um fazendeiro. Nosso Otto está experimentando as alegrias e dificuldades da paternidade.”

Eu pensei: Se é um nosso e outro nosso, também quero ser nossa. Achei o meu:

– Nossa Assim Você me Mata.

(Obrigada, Veri, Nossa Senhora dos Achados Infames, que esse é de facto malandro.)

Voltando aos nossos assuntos: hoje, bem hoje, conheci a filha do Nosso Otto, meu querido, e puxa vida. Ela é inacreditável. Ela não dá chances. Ela espia, faz alguma coisa aleatória, olha pra cima e abre um sorrisão. E aí você tem certeza que é pra você. Que aquilo foi especial. E tudo fica glorioso. E a manhã passa devagarinho e você começa a achar, de repente, que tomar café da manhã é igual a ir jantar.

A família. Anda tão fora de moda, né. Mas aí você vai vai lá e percebe que poucas coisas fazem tannto sentido como o pronome possesivo da família quando você começa uma. Eu mandei um e-mail para ele dizendo: Sua família é linda. E é a família dele mesmo. E ela é linda mesmo. A mulher dele é linda e a filha dele é linda. E ele é lindo. E eles três juntos são lindos e eles três juntos formam essa família. Portanto, a Família deles é linda. Mas esse F…, quando aparece com o T e P de TFP fica meio FDP. Mas, né.

Isso está entre algumas das coisas que você que me ensinou. Que o conservadorismo às vezes não está onde a gente acha. E às vezes eles está bem onde a gente acha que não tá. Ah, você e suas seriedades…. Pois bem, isso me fez lembrar que hoje, ainda que tarde, eu vi um trecho da entrevista do Clint Eastwood na GQ. Veja só, na minha tradução livríssima:

“Eu era um republicano-Eisenhower quando comecei aos 21, porque ele prometeu tirar a gente da Guerra da Coreia. E, ao longo dos anos, eu percebi que havia uma filosofia republicana de que eu gostava. E aí eles perderam isso. E os libertários tinham isso. Porque eu acredito no seguinte: vamos gastar mais tempo deixando as pessoas em paz.”

Você acha que dá para entender?
Beijo

Clint e sua pistola na juventude, um republicano

Esta entrada foi publicada em fevereiro 23, 2012 às 1:11 pm e está arquivada sob Uncategorized. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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