Feijoada

Neste sábado, me transformei num clichê, aquele do brasileiro que sofre de saudades do país do samba. Meio de ressaca, acordei com vontade de feijoada. Consegui quase sentir o sabor, fechando os olhos, imaginando o aroma fumegante que eu, você e todas as gerações das nossas famílias, conhecemos tão bem.

Começou a parecer tortura, e achei por bem me desvencilhar da lembrança forte e salgada. Em busca de qualquer entretenimento, recorri à internet e me deparei com fotos dos meus amigos curtindo o maior verão. Deu saudade da praia. Do Rio de Janeiro. Do Carnaval.

Saudade, saudade, saudade! Hoje, eu sou a típica expatriada que chora pela pátria amada, oh Brasil.

E me sinto uma traidora de mim mesma, porque achei que isso NUNCA ia acontecer. Mas pra mim as coisas começam pelo estômago (ou pelas papilas) e o poder da feijoada, desse eu nunca duvidei.

A feijoada pra mim é o Boeuf Bourguignon brasileiro: um prato de forte personalidade e tão importante que eu sempre prometi, mas nunca tive coragem de executar. Pra mim, talvez ele seja a única receita de identificação totalmente nacional – é possível comer uma boa feijoada em qualquer parte do país, diferentemente de outros pratos bem brasileiros, como a moqueca ou o churrasco.

Acho que por isso mesmo não me causa espanto que justo a falta que me faz uma feijoada tenha me despertado uma saudade danada do país inteiro, que começa a doer um pouquinho. Uma saudade tão pertinente… Não tem a cara de ninguém – não é da família, de um amigo -, mas daquele prato quente, negro, o feijão majestosamente acompanhado das melhores (sim, melhores!) partes do porco – pé, orelha, costela, linguiça… E a farofa? Quando é bem crocante e temperada? E a couve, igualmente crocante, amanteigada, acompanhada de um bacon mágico? Laranjinhas suculentas em rodela, e o vinagrete, que hoje vejo faz total sentido. Meu reino, minha paz de espírito, minha sanidade por ela, a feijoada.

(Suspiro)

O amor. Pra mim, ela é o amor.

Porco, ó nobre animal, obrigada por tudo o que fizeste por mim ao entrar nessa festa louca que é a feijoada

Esta entrada foi publicada em fevereiro 4, 2012 às 2:01 pm e está arquivada sob Comida, Vida na América. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

3 opiniões sobre “Feijoada

  1. Aiiiiiii, que fome!!!!!!!!!!

  2. Arnaldo em disse:

    Belle, não fosse inventada pelos portugas, “saudade” teria sido criada por nós. Esquenta não, it is part of the process….

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