Fazer amigos e influenciar pessoas

Ninguém pensa muito em fazer amigo. A coisa simplesmente acontece. Você entra num curso, conhece umas pessoas, participa das discussões da aula e acaba interagindo com alguém, conversa sobre tópicos mais amenos no intervalo e, quando menos espera, tá tomando uma cerveja depois da aula com a turma. No trabalho novo, vai perguntando uma coisa e outra sobre como funciona a firma pro vizinho de mesa, encontra alguém no cafezinho, descobre quem tem afinidades com você até que, quando menos espera, sai pra jantar com a colega da firma e o marido. Très facile, hum?

Mas e se o código muda? Se as pessoas não interagem tão facilmente? Ou se a tal cerveja depois da aula não rola nunca?

Welcome to America. Assim como o flerte norte-americano tem outra dinâmica, as regras da amizade também são diferentes. Vamos analisar o exemplo abaixo:

– Você faz um mestrado com nove pessoas. Ao chegar, os colegas não falam “oi”, apenas levantavam a sobrancelha. Isso se repete por meses até que na festinha de fim de ano, quando sua entrada atrasada foi festejada pelos amigos que achavam que não apareceria, você tem certeza de que foi aceito e é querido. Abraços e tudo o mais. Um mês depois, de volta a sala de aula, sobrancelhas erguidas e nada mais.

Alguma explicação? Pra mim é meio difícil entender, mas tem uma imagem, de que gosto muito, que é a da sala de espera. É como se os americanos estivessem  vivendo na ante sala de um médico, todas no mesmo ambiente, mas sem nunca se olhar. Usam um mesmo espaço, mas a interação é nula ou mínima. Esse modus operandi pode até ser uma interpretação coletiva do princípio das liberdades individuais. Sem antecedentes – isto é, se ninguém te apresentou -, receber um cumprimento de alguém, só se já encontrou a pessoa umas cinco vezes.

Mas os americanos têm amigos, né? E essas amizades nasceram de alguma maneira, certo? Analisemos outros dois casos:

1. Depois de encontrar uma moça por dois meses na aula de ioga, ela chega pra mim a pergunta: “Você tem um sotaque de onde é? Uau, Brasil! Adoraria saber mais sobre o país. Vou te dar meu cartão. Vamos tomar um café ou almoçar essa semana?” Bizarrão, né? Mas eu fui e a menina era ótima.

2. No restaurante. “Desculpe, não quero parecer entrona, mas vi que você tem umas brochuras da Universidade de Chicago e eu dou aula lá, no curso de escrita criativa. Toma o meu cartão.” Eu escrevi pra ela ter o meu email também e ela já me passou até contato de trabalho.

O que os dois casos têm em comum? Matou a charada? Rá! Cartão de visitas, mano!

Basicamente é isso: os americanos são legais e fazem amigos, mas é meio complicado se aproximar. Quer quebrar o clima? Faz um cartão de visitas! O meu só falta imprimir.

Agora resta descobrir como fazer pra influenciar pessoas.

"Ah, essa sala de espera que é a vida. Se eu tivesse trazido o meu cartão, tudo seria diferente"

PS: Lembro de, há muitos anos, uma amiga que morava em Paris me contar que na França, as pessoas entregavam bilhetes no metrô com o seu telefone quando achavam alguém interessante. Hoje, está casada com um francês. Vai ver que o cartão de visitas funciona pra muita coisa em muitos países!

Esta entrada foi publicada em fevereiro 2, 2012 às 3:59 pm e está arquivada sob Ai esse comportamento!, Vida na América. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

4 opiniões sobre “Fazer amigos e influenciar pessoas

  1. Pedro Venceslau em disse:

    E se eu deixar meu Visa Vale?

  2. Mulher, que divertidos seus textos e como lembro da sensação do sentimento de ser estrangeiro quando vc fala. É marcante, fazer o quê!
    Aproveitem o que é de bom e dê muitas risadas do que não pode explicar, hehehe!
    Saudades de vcs! bjs

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