Como é mesmo o nome dele?

Acho que um dos problemas de memória mais recorrente está relacionado a fisionomia. Gente que não consegue, de jeito nenhum, reconhecer um conhecido ou lembrar seu nome nos primeiros encontros. Até o conhecido passar a amigo, sofrimento total.

No fim do ano, li uma matéria sobre esse problema que me deixou muito chocada. Claro, é esse mesmo problema vezes um milhão: pessoas que não têm nenhuma memória visual no que diz respeito ao outro. Quem tem essa doença, por exemplo, não consegue guardar a fisionomia do próprio filho. Um dos exemplos dados na reportagem era sobre um homem que saia com uma moça pra jantar, em um date, e quando voltava do banheiro sentava na mesa de outra moça. Já pensou?

Já vi muita gente sofrer bastante com um problema parecido, o de saber que conhece uma pessoa e não lembrar do nome de jeito nenhum. Minha mãe teve uma loja por muitos anos com clientes fiéis. É claro que ela sabia o nome de todas, suas histórias e, algumas vezes, até informações íntimas. Mas e quando a pessoa aparecia depois de muito tempo? “Ai meu Deus, essa é aquela moça, dentista, prima daquela outra que perdeu o pai no ano passado. Ai, como era mesmo o nome?” Pra não ter erro, era todo mundo “querida”.

Meu marido também foi acometido deste mal logo criança e, pra tentar dar um jeito, desenvolvemos uma técnica quando começamos a namorar. Se alguém o cumprimentasse e ele não conseguisse lembrar quem era a pessoa, ele prontamente falaria: “Já conheceu a minha namorada?” Ao que eu agilmente emendaria: “Isabelle, muito prazer”. Isso obrigaria a pessoa a dizer seu nome também e nós seríamos felizes para sempre. Funcionou muito bem durante muito tempo, até todos os conhecidos também me conhecerem e eu ficar impedida de me apresentar.

Hoje, com os (not so) smartphones, dá pra dar google em tudo e ninguém mais sofre muito tentando lembrar o nome daquele filme, daque ator, daquela banda ou de quem canta aquela música. Mas, pra gente que você conhece na rua, até inventarem realidade aumentada pra gente, não vai ter jeito.

* * *

Outro dia, no curso de música, uma das senhoras chegou para um colega e disse:

– Você não está lembrado de mim? Fizemos um curso aqui há alguns anos. Acho que era sobre ópera alemã. Nós chegamos a conversar algumas vezes. E eu me lembro que era meu aniversário e você me levou para almoçar em um restaurante muito gostoso aqui do centro.

Ele parou. Pensou um pouco. Fez força, tentou lembrar, tentou mais, e mais. E falou:

– É, parece que você conheceu um homem maravilhoso!

Esta entrada foi publicada em janeiro 22, 2012 às 8:47 pm e está arquivada sob Neurose. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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