Domingo, 17h

O mundo é grande, a distância entre as culturas é imensa, mas a depressão de domingo, essa não tem jeito, dá em todo lugar. Aposto que chinês, russo, tailandês, alemão, sulafricano, paraguaio, todos eles, e todos os outros que não foram citados, sofrem a partir de umas cinco da tarde. E muito provavelmente o universo inteiro concorda comigo quando eu digo que é o dia mais triste que tem. Nem a segunda-feira, com o maçante retorno à rotina, é tão deprimente quanto a noite do domingo.

Pra mim, a coisa acontece quando o dia está acabando, o sol já vai se despedindo e eu me ligo de que não fiz nada, o tempo passou, o cavalo passou selado e eu não montei. O peito fica apertadinho. E parece que a partir desse momento o tempo passa muito mais rápido, só pra te provar que, nada feito, você está perdido. E também muito mais devagar, só pra te maltratar.

Problema é quando você se deixa levar. Fica na sua, dentro da sua cabeça, pensando em como é tudo meio sem sentido. A vida tá passando. Você ainda não descobriu A Coisa que quer fazer. O que será que pode melhorar a vida? Ter um filho? Mas aí tem que ter dinheiro pra sustentar. Tem que trabalhar. E o que é mesmo A Coisa que você quer fazer que vai te deixar feliz e te dar esse reforço monetário? E depois, vai chegar o dia, você vai morrer mesmo, não tem jeito. Isso é tão certo quanto a noite do domingo.

Talvez o melhor mesmo seja não dar ouvidos pra sua cabeça – seja lá o que isso quer dizer -, e se distrair, dormir cedo, e se jogar na segunda. A segunda-feira vai ser difícil, maçante, como antes mencionado, mas te traz a maior das vantagens: você não vai ter muito tempo pra pensar, vai ter que viver.

Pode ser que o problema do domingo seja esse, a gente vive menos, é outra das muitas pequenas mortes, hoje muito em gosto. E eu não sei se dá pra aprender a driblar isso, se passa com a idade, se tem remédio. Agora, se alguém descobrir uma saída pra esse mal, certamente, fica rico.

Cavalinho, passa aqui, vai!

Esta entrada foi publicada em outubro 24, 2011 às 9:27 am e está arquivada sob Neurose. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

2 opiniões sobre “Domingo, 17h

  1. Paulla Pinheiro em disse:

    O que me desespera é a rapidez com que a noite do domingo passa. Você olha para o relógio, são 18h30, pisca e, quando olha de novo, são 22h!

  2. Belle, sempre fui ‘adepta’ do tédio aos domingos…
    Filho, quando é criança, ajuda a esquecer o tédio ou a não pensar muito nele, é verdade. Mas o que é batata é fazer como uma amiga minha: foi morar na Síria (mas serve para qualquer país árabe) e domingo lá é dia da semana, dia de trabalho. Aí vc pode dizer que o sábado fica com cara de domingo. Pode até ficar para eles, os árabes, mas, nós, ocidentais, nunca que confundiríamos um sábado com um domingo!
    Beijos

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