Toc de Toque

Dez da manhã, academia de ginástica. Na sala de Yoga, a professora baixinha, musculosa e muito simpática dá as primeiras instruções e explica o que será a aula que começa. Vamos prestar muita atenção na nossa respiração, que deve acontecer na parte mais baixa do abdome. É importante estar concentrado e sentir a energia do nosso corpo. Ela demonstrará os exercícios, mas também passará pelos alunos para se certificar de que todos estão entendendo o que é necessário fazer e para eventualmente corrigir alguma postura. “Se você não quiser isso, não se sentir confortável com alguém tocando em você a essa hora da manhã, é só fazer um sinal agora com a mão.”

Será que eu entendi direito? A paranóia do toque chegou a esse ponto? Alguém vai mesmo preferir fazer o exercício errado a ser tocado pela professora? Meu Deus, onde isso vai parar!

E esse povo, o que tem toc de toque, é o mesmo povo que dá bom dia e oi aos estranhos na rua. Faz dois meses que eu convivo com isso, mas eu ainda não me acostumei com a gentileza dos estranhos na rua. Ao mesmo tempo, meus quase-novos-amigos – com exceção do abracinho – no máximo apertam a minha mão.

É importante que fique claro que eu não sou monotemática ou carente. É que, quando você acha que já viu tudo, vem a professora de Yoga.

* * *

Outro highlight da academia é a obsessão pela limpeza – obsessão essa que infelizmente faltou aos inquilinos anteriores a mim. Em todos os banheiros e no vestiário, há pelo menos seis avisos sobre como é importante lavar as mãos com “áqua quente e sabão e, depois disso, higienizá-las mais uma vez com álcool gel” para que o ambiente esteja sempre limpo.

Quando comentei com o recepcionista que havia gostado da academia, ele prontamente respondeu: “Ah, fico feliz. É um ambiente muito limpo”.

Seria o toque (ou não) da aula de Yoga então uma coisa ligada à neurose do assédio sexual ou da higiene?

De um jeito ou de outro, a professora de Pilates resolveu não encostar ou sequer mencionar essa possibilidade aos alunos.

Esta entrada foi publicada em outubro 5, 2011 às 6:27 pm e está arquivada sob Neurose, Vida na América. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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