Porque Chicago é a cidade mais legal dos EUA

Chicago é provavelmente a cidade mais legal dos Estados Unidos. E sabe por quê? Porque é aqui que fica o Green Mill. Nunca ouviu falar? Eu te conto. O Green Mill Cocktail Lounge (ou Jazz Club) é uma casa de shows e bar aberta em 1907 em Uptown. Naquela época, era um lugar destinado às pessoas que perderam entes queridos e paravam lá a caminho do cemitério de St. Boniface. Em 1910, foi vendido e os novos donos deram uma geral, criaram áreas para dançar e para beber e colocaram um letreiro bem famoso que até hoje orna a porta. Atores superfamosos pré-Hollywood, como Billy Bronco Anderson, que fazia westerns, frenquentavam o local e paravam seus cavalos (cowboys!) numa espécie de estacionamento para animais que o bar tinha do lado de fora.

Agora, o mais legal de tudo é que este é um lugar que foi frequentado por Al Capone. E era um dos favoritos dele. Nos anos 1920, virou território da máfia quando um dos integrantes da turminha, “Machinegun” Jack McGurn, levou 25% da sociedade para resolver um “probleminha” do administrador. Como ele resolveu essa questão virou até filme com o Frank Sinatra (“Chorei por você”, 1957). O bar era um sucesso na época da Lei Seca, com alçapões atrás do balcão que levavam para onde a bebida estava escondida. Dizem que estão lá até hoje.

Isso eu não vi. Mas vi a iluminação baixa e o bar elegante, sentei em uma das cabines de couro, senti o clima de noite-animada-e-proibida-dos-speak-easy e o cheiro de charuto do passado, e ouvi muito, mas muito boa música. Foi totalmente possível imaginar – e até ver, quando no ápice alcoólico – o que foram os anos 1920 de Chicago.

O Green Mill me apresentou sua noite de swing (no sentindo musical e dançante), com uma incrível Big Band, a Alan Gresik Swing Shift Orchestra. Piano, baixo, bateria e metais, cantora e cantor. Bem à frente do espaço da banda, a pista de dança com exibições perfeitas de como se dança o swing. Gente normal, que frequenta o bar e se conhece. Não havia pares fixos e todos pareciam estar se dando muito bem, obrigado. E é tão maravilhoso, mas tão marvilhoso de assistir e, principalmente, imagino, de dançar o swing que as pessoas simplesmente não conseguem evitar um sorriso perpétuo enquanto giram, rebolam, sapateiam.
Toda quinta essa rotina se repete. Custa US$ 6 pra entrar. Eu acho que valeria até pagar uma passagem da China só pra ver.
Esta entrada foi publicada em agosto 26, 2011 às 8:43 pm e está arquivada sob Chicago, História, Música. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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